O essencial em 30 segundos: Venom, Morbius, Kraven, o Caçador… A Sony tentou construir todo um universo em torno dos vilões do Spider-Man, sem os Avengers e, na maior parte das vezes, nem sequer Peter Parker. Resultado: um ranking muito desigual, entre triunfo comercial (Venom), fiasco crítico (Morbius) e aposta arriscada (Kraven). Neste artigo, classificamos estes "vilões a solo", explicamos por que razão alguns resultam e outros não, e estabelecemos a ligação com os grandes vilões do MCU, como Loki, Thanos ou Doutor Doom, disponíveis em figuras e posters na nossa coleção Figuras Villains.
Desde 2018, a Sony Pictures explora uma ideia contrária ao modelo da Marvel Studios: construir filmes inteiros em torno dos seus vilões, sem (ou quase sem) super-heróis para os enfrentar. Venom, Morbius, Kraven, o Caçador e, em breve, outras figuras do bestiário do Spider-Man são assim promovidas ao estatuto de personagens principais nas suas próprias franquias. Esta abordagem, única no panorama dos filmes de super-heróis, merece uma análise mais atenta: quais são os melhores "vilões a solo" do cinema Marvel, quais falharam a sua aposta e o que nos ensina isto sobre aquilo que faz um bom antagonista? É esse o objetivo deste ranking, pensado para os fãs que apreciam tanto os heróis como os vilões do universo Marvel.
O que é um "vilão a solo" no cinema?
Um "vilão a solo" designa um antagonista de banda desenhada que obtém o seu próprio filme, como personagem principal, em vez de ficar limitado ao papel de adversário perante um herói já estabelecido. É uma forma de reutilizar personagens secundárias ou pouco conhecidas para criar novas franquias rentáveis, sem depender dos direitos do próprio Spider-Man (que a Sony partilha com a Marvel Studios em condições complexas). O conceito não é totalmente novo: poder-se-ia argumentar que Loki, com a sua série a solo na Disney+, segue uma lógica semelhante, tal como alguns projetos previstos em torno do Doutor Doom. Mas o verdadeiro laboratório do género continua a ser o "Spider-Man Universe" da Sony, com três filmes emblemáticos: Venom (2018), Morbius (2022) e Kraven, o Caçador (2024).
A nossa metodologia de classificação
Para estabelecer esta classificação, cruzámos vários critérios objetivos e subjetivos: o desempenho nas bilheteiras, a receção da crítica e do público, a qualidade da escrita da personagem, a coerência com o material de origem das bandas desenhadas e, por fim, o impacto cultural (memes, frases de culto, lugar na cultura pop). Nenhum destes filmes faz oficialmente parte do MCU “canónico” dos Avengers, mas as suas ligações ao multiverso (nomeadamente através de Spider-Man: No Way Home) fazem deles objetos de estudo incontornáveis para qualquer fã de vilões da Marvel.
| Posição | Filme | Ano | Bilheteira mundial | Veredicto |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Venom | 2018 | ~856 M$ | Sucesso popular |
| 2 | Venom: Let There Be Carnage | 2021 | ~506 M$ | Muito sólido |
| 3 | Kraven, o Caçador | 2024 | ~62 M$ | Aposta arriscada, fracasso comercial |
| 4 | Venom: The Last Dance | 2024 | ~476 M$ | Conclusão honrosa |
| 5 | Morbius | 2022 | ~167 M$ | Fracasso da crítica e meme viral |
1. Venom: o vilão que se tornou um anti-herói de culto
É impossível começar esta classificação sem mencionar Venom, o grande vencedor desta experiência da Sony. Tom Hardy interpreta Eddie Brock, um jornalista falhado que se funde com um simbionte extraterrestre para se tornar uma criatura simultaneamente monstruosa e estranhamente cativante. A aposta da trilogia assenta numa alquimia particular: Venom não é propriamente um vilão no sentido clássico, mas antes um anti-herói caótico, com um humor negro assumido e uma “bromance” improvável entre Eddie e o seu simbionte. Este tom descontraído, quase cómico, conquistou um público vasto, muito para além dos simples fãs de banda desenhada. O terceiro capítulo, Venom: The Last Dance, ofereceu uma conclusão à altura das expectativas, com uma participação especial que encantou os fãs mais atentos ao multiverso.
Este sucesso explica-se também pelo desempenho de Tom Hardy, que leva o filme aos ombros, dobrando ele próprio a voz do simbionte em muitas cenas. Se gosta deste tipo de personagens ambíguas, entre o heroísmo e a escuridão, a comparação com Loki, o anti-herói preferido dos fãs, é particularmente pertinente.
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Ver o produto2. Kraven, o Caçador: a ambição antes do fracasso comercial
Lançado no final de 2024, Kraven, o Caçador (com Aaron Taylor-Johnson no papel principal) propunha uma abordagem radicalmente diferente: um tom muito mais violento, uma classificação R (proibido a menores de 17 anos nos Estados Unidos) e uma história de origem centrada em Sergei Kravinoff, um caçador russo obcecado por perseguir as criaturas mais perigosas do planeta. No papel, a ideia era apelativa: finalmente oferecer um vilão do Spider-Man tratado com a obscuridade e a brutalidade exigidas pelo seu material de origem nas bandas desenhadas.
Na realidade, o filme teve uma receção comercial catastrófica, uma das piores da história recente dos filmes de super-heróis, com um orçamento que ultrapassou largamente as receitas mundiais. A crítica elogiou algumas opções (a interpretação de Aaron Taylor-Johnson, a fotografia), mas apontou também um argumento banal e um ritmo irregular. Este quase fracasso levou a Sony a rever a sua estratégia para o futuro do "Universo Spider-Man". Ainda assim, o filme permanece interessante pela sua ambição: fazer de Kraven uma personagem autónoma, com as suas próprias motivações.
3. Morbius: o fracasso que se tornou um meme de culto
É difícil falar de Morbius sem mencionar o seu destino peculiar na internet: lançado em 2022 com Jared Leto no papel do "vampiro vivo", o filme foi arrasado pela crítica logo após a estreia, antes de conhecer uma segunda vida inesperada sob a forma de meme ("It's Morbin Time"), ironicamente mais popular do que o próprio filme. Esta notoriedade viral levou mesmo a Sony a tentar um relançamento nos cinemas em 2022, uma aposta que fracassou comercialmente.
Em termos gerais, Morbius sofre de um argumento previsível, efeitos especiais irregulares e uma montagem caótica que denuncia claramente reescritas tardias. A personagem de Michael Morbius, bioquímico transformado numa criatura vampírica após uma experiência falhada, tinha, contudo, um forte potencial dramático nas bandas desenhadas. Infelizmente, o filme explora apenas a superfície deste material, preferindo multiplicar as referências ao resto do "Universo Spider-Man" (incluindo uma participação controversa) em vez de desenvolver uma história autónoma convincente. Um caso paradigmático dos limites de querer lançar uma franquia a todo o custo.
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Ver o produtoMenção especial: Madame Web, o antiexemplo do género
Lançado em 2024, Madame Web não é propriamente um filme de "vilão" (Cassandra Webb é antes uma anti-heroína clarividente), mas a sua inclusão no "Spider-Man Universe" e a receção catastrófica de que foi alvo fazem dele uma referência incontornável para compreender os limites desta estratégia. O filme foi unanimemente criticado pelo seu argumento confuso, pelos diálogos desajeitados e pela ausência quase total de ligação ao Spider-Man, que, supostamente, deveria estar no centro deste universo. É o contraexemplo perfeito do que acontece quando se tenta construir um filme inteiro em torno de uma personagem secundária sem lhe dar uma verdadeira identidade.
Porque é que alguns vilões funcionam melhor a solo do que outros
Ao comparar estes diferentes filmes, uma conclusão destaca-se: os vilões que melhor resultam a solo são aqueles que passam, pelo menos parcialmente, para o lado do anti-heroísmo. Venom funciona porque Eddie Brock e o seu simbionte se tornam, ao longo dos filmes, protagonistas que temos vontade de acompanhar, com humor e química. Pelo contrário, Morbius e Madame Web têm dificuldades porque as suas personagens centrais continuam indefinidas, não sendo verdadeiramente vilãs nem heroínas, e sem uma identidade forte. Kraven, por sua vez, assume plenamente a sua faceta sombria, mas sofre de falta de novidade na sua narrativa.
Esta lógica também se aplica, aliás, aos grandes vilões do MCU da Marvel Studios: Thanos funciona porque tem uma visão do mundo coerente (mesmo que aterradora), enquanto Ultron por vezes tem dificuldade em convencer, apesar de um potencial semelhante. Quanto ao Doutor Doom, a sua chegada anunciada em Avengers: Doomsday e Secret Wars, interpretado por Robert Downey Jr., relança precisamente a questão: será que a Marvel Studios conseguirá evitar as armadilhas do "Spider-Man Universe", dando finalmente a um vilão de culto a dimensão que merece? Para saber mais sobre este tema, o nosso artigo sobre o regresso de Robert Downey Jr. como Doutor Doom analisa os desafios desta escolha arrojada.
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Ver o produtoO futuro dos vilões a solo no cinema
Após o sucesso moderado de Kraven, o Caçador e o fracasso de Madame Web, a Sony parece estar a abrandar o ritmo do seu "Spider-Man Universe" centrado nos vilões, enquanto explora possibilidades de aproximação à Marvel Studios (Venom já fez uma breve incursão no MCU através de uma participação após os créditos). Por seu lado, a Marvel Studios aposta numa estratégia diferente: em vez de filmes a solo a 100% para os seus vilões, a empresa privilegia arcos longos e fortes ligações aos seus heróis, como demonstra a ascensão do Doutor Doom nos próximos Avengers. Também é de salientar que personagens como Thanos e o seu Snap histórico marcaram os fãs sem nunca terem precisado de um filme "a solo" dedicado, prova de que um grande vilão pode afirmar-se plenamente continuando a ser um antagonista perante uma equipa de heróis.
Resta ainda assim que a experiência da Sony teve o mérito de abrir um debate apaixonante entre os fãs: será que um vilão precisa realmente do seu próprio filme para ser marcante? A classificação aqui apresentada mostra que a resposta depende sobretudo da qualidade da escrita, muito mais do que do próprio conceito. Para acompanhar as novidades sobre o próximo grande encontro de heróis e vilões no cinema, consulte o nosso artigo completo sobre o elenco completo de Avengers: Doomsday.
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Perguntas frequentes
Venom faz parte do MCU oficial?
Não diretamente. Venom pertence ao "Spider-Man Universe" da Sony, um universo cinematográfico distinto, embora tenha sido estabelecida uma ligação ao MCU através de uma participação especial em Spider-Man: No Way Home e de uma cena pós-créditos de Venom: Let There Be Carnage.
Porque é que Morbius deu tanto que falar apesar do seu fracasso?
O filme tornou-se um fenómeno de memes na Internet ("It's Morbin Time") meses depois da estreia nos cinemas, o que criou um entusiasmo viral totalmente desligado da verdadeira qualidade do filme, chegando a motivar um relançamento nos cinemas.
Kraven, o Caçador terá uma sequela?
Tendo em conta o seu fracasso comercial, uma sequela direta parece pouco provável a curto prazo, embora a Sony não tenha fechado oficialmente a porta ao futuro da personagem no seu universo.
Poderá o Doutor Doom tornar-se o próximo grande vilão a solo do MCU?
Com a entrada de Robert Downey Jr. no papel, a Marvel Studios aposta forte no Doutor Doom para Avengers: Doomsday e Secret Wars. Sem um filme a solo propriamente dito, a sua importância na saga poderá ultrapassar a de todos os vilões mencionados nesta classificação.
Qual é, até à data, o melhor filme a solo de um vilão?
Segundo a nossa classificação, Venom (2018) e a sua sequela Let There Be Carnage continuam a ser os êxitos mais evidentes, impulsionados pela interpretação de Tom Hardy e por um tom assumido entre a ação e a comédia negra.
Para explorar ainda mais o universo dos Avengers
- Top 10 dos Melhores Vilões Marvel de Todos os Tempos — para uma classificação mais abrangente, incluindo os grandes antagonistas do MCU.
- Ultron: a IA que quis destruir a humanidade
- O Multiverso Marvel explicado de forma simples — para compreender como Venom e o Spider-Man se cruzam apesar de pertencerem a universos distintos.
- Os Vilões dos Avengers: Guia Completo — a nossa página de referência sobre todos os principais antagonistas.
O que deve reter
O conceito de «vilão a solo» produziu resultados muito contrastantes: um triunfo (Venom), uma aposta corajosa mas um fracasso comercial (Kraven) e dois fracassos marcantes (Morbius, Madame Web). Esta diversidade de resultados ilustra bem a dificuldade de fazer um filme inteiro assentar num antagonista, por mais carismático que seja no papel. Para prolongar em casa a sua paixão pelos grandes vilões da Marvel, descubra toda a nossa seleção na coleção de Figuras de Vilões, nos nossos Pósteres Avengers para decorar as suas paredes com as cores dos Titãs e dos deuses da malícia, ou ainda na nossa secção de Tapeçarias Avengers para uma decoração de parede imersiva. Quer alargar a pesquisa a todas as personagens da saga? Visite a nossa coleção de Figuras Avengers, a nossa secção de Brinquedos Avengers ou ainda a nossa seleção de Cosplay Avengers para encarnar o seu herói ou vilão favorito.